terça-feira, 13 de agosto de 2013

A 15 de Agosto a cristandade inteira celebra, desde o século VIII, o evento da assunção ao céu de Maria de Nazaré, mãe do Crucificado-Ressuscitado, ícone de quantos acolhem na fé a promessa de Deus num futuro e numa «morada» de luz e de paz, que a ela foram concedidos de modo antecipado em relação a nós. Eis porque a liturgia do dia tem como antífona de início o conhecido trecho do Apocalipse: «Apareceu um grande sinal no Céu: uma mulher revestida de Sol, tendo a Lua debaixo dos seus pés e uma coroa de doze estrelas sobre a cabeça» (12, 1).
A celebração litúrgica relê este trecho apocalíptico e reforça-o na perspectiva escatológica que a todos envolve com a proclamação da primeira Carta aos Coríntios (15, 20-27), no qual se afirma Cristo ressuscitado como primícia de quantos morreram: graças a ele e ao seu mistério  de Páscoa, a morte já não causa temor, já não  a última palavra triste, porque quem morrer em Cristo receberá por meio dele a vida imortal, que tem como horizonte permanente a comunhão dos santos em Deus.
Neste dia Maria exorta-nos  a tornar a fé forte e a esperança  segura. Todos os que, como ela, «são de Cristo» permanecerão com Ele para sempre. Esta «boa notícia» contudo passa pelo aguilhão da morte (cf. 1 Cor 15, 55). Enquanto para muitos de nós a morte é um drama, uma desventura, um cancelamento do nosso ser, para a Virgem Maria não o foi, não é assim. Para ela  a morte, ensinava João Paulo II,  foi causada (ela é Imaculada,   tornou-se  Inocente graças ao Amor trinitário)  pelo seu ser criatura humana, imersa no caminho que inevitavelmente leva à morte e ao qual o próprio Jesus se sujeitou voluntariamente. Para ela a morte, ou Dormitio como o Oriente cristão a define, realizou o encontro estável com o amado, com o Deus da aliança e da promessa. Por isso o corpo imortal de Maria foi revestido de imortalidade, realizando assim nela a palavra da Escritura: «A morte foi tragada pela vitória. (…) Graças sejam dadas a Deus que nos dá a vitória por nosso Senhor Jesus Cristo» (1 Cor15, 55-57).
Texto: Salvatore M. Perrella
Fonte: Vatican.News

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