quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Em vésperas da festa litúrgica de Todos os Santos e da comemoração dos fiéis defuntos, o Papa Francisco dedicou a catequese da audiência geral desta quarta-feira a comentar o artigo do Credo em que professamos a nossa fé na "Comunhão dos Santos".

Presentes nesta audiência dezenas de milhares de pessoas. De entre os peregrinos lusófonos, de destacar hoje, para além de portugueses e brasileiros, um grupo proveniente de Timor Leste.


Em lugar de destaque, uma delegação de iraquianos representantes de diversos grupos religiosos, que participaram em Roma, ontem e hoje, num encontro promovido pelo Conselho Pontifício para o Diálogo Inter-religioso.
Eis a síntese, em português, da catequese desenvolvida mais extensamente em italiano:

Queridos irmãos e irmãs,
A comunhão dos santos, esta belíssima realidade da nossa fé, pode se entender em dois sentidos: comunhão nas coisas santas e comunhão entre as pessoas santas, ou seja, todos aqueles que pertencem a Cristo. Este segundo sentido nos lembra que a comunhão dos santos tem como modelo a relação de amor que existe entre Cristo e o Pai no Espírito Santo: é o amor de Deus que nos une e purifica dos nossos egoísmos, dos nossos juízos e das nossas divisões internas e externas. Ao mesmo tempo, também experimentamos que a comunhão com os irmãos nos leva à comunhão com Deus. De fato, nos momentos de incerteza e mesmo de dúvida, precisamos do apoio da fé dos demais. Finalmente, é importante lembrar que a comunhão dos santos não acaba com a morte: todos os batizados aqui na terra, as almas do Purgatório e os santos que estão no Paraíso formam uma grande família, que se mantem unida através da intercessão de uns pelos outros.

Não faltou também uma saudação aos peregrinos lusófonos que participaram nesta audiência:

Queridos peregrinos de Portugal, de Timor Leste e do Brasil: sede bem-vindos! Daqui alguns dias, celebraremos a solenidade de Todos-os-Santos e a comemoração dos Fiéis Defuntos. Possa a fé na comunhão dos santos vos animar a encomendar a Deus, sobretudo na Eucaristia, os vossos familiares, amigos e conhecidos falecidos, sentindo a proximidade deles na grande companhia espiritual da Igreja. Que Deus vos abençoe!


sexta-feira, 25 de outubro de 2013

O motor do mundo

Uma comunidade de vida fundada no matrimónio; um lugar no qual «se aprende a amar» e no qual nos ocupamos de crianças e idosos, «os dois pólos da vida»; um «motor do mundo e da história» real e concreto. Este é o «ícone» da família proposto pelo Papa Francisco durante a audiência desta manhã, sexta-feira 25 de Outubro, aos participantes na plenária do Pontifício Conselho para a Família.
E precisamente tendo diante dos olhos esta imagem, o Pontífice recomendou mais uma vez que nos aproximemos «com atenção e afecto das famílias em dificuldade, das que são obrigadas a deixar a sua terra, que são fragmentadas, que não têm casa ou trabalho, ou sofrem por tantos  motivos; aos cônjuges em crise e aos que já estão separados. Queremos estar próximos de todos».
É sem dúvida um horizonte muito amplo o que o Santo Padre abriu sobre a família. Nele, observou, é possível descobrir todas as dimensões que dizem respeito à pessoa humana, desde o nome que recebemos, à dignidade pessoal que pertence a cada indivíduo, de modo especial ao doente, frágil, marginalizado». Motivos válidos para legitimar o pedido de que seja  reconhecida precisamente como «comunidade-família» sobretudo numa época como a actual, na qual parece prevalecer «a tutela dos direitos individuais».
E este horizonte abrange a fidelidade matrimonial, que leva a superar «diversos pontos de vista, ciúmes» e até contendas; mas sobretudo abrange a relação extraordinária entre a infância e a velhice, os dois pólos da vida, «os mais vulneráveis, muitas vezes esquecidos».
Mas se é importante «”perder tempo” com os filhos, brincar com os filhos», disse o Santo Padre, é de igual modo importante não esquecer os  idosos: «Uma sociedade que abandona as crianças – acrescentou o Pontífice – e que marginaliza os idosos corta as suas raízes e obscurece o seu futuro», porque «os jovens levarão em frente aquela sociedade com a sua força».
Por fim o Pontífice falou sobre a exemplaridade das famílias cristãs que «se reconhecem – disse – pela fidelidade, paciência, abertura à vida, respeito pelos idosos». O segredo «é a presença de Jesus na família». E é precisamente esta presença que deve induzir a propor a todos «com respeito e coragem, a beleza do matrimónio e da família iluminados pelo Evangelho». A «boa nova» da família é e permanece «uma parte muito importante da evangelização».

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

O sacramento do Matrimônio: Uma via de Santidade

O sacramento do Matrimônio e o da Ordem são chamados sacramentos a serviço da comunhão e da missão, por conferirem uma graça especial para a missão particular na Igreja com relação à edificação do povo de Deus, contribuindo em especial para a comunhão eclesial e para a salvação dos outros. O homem e a mulher foram criados por Deus com uma igual dignidade como pessoas humanas e, ao mesmo tempo, numa complementaridade recíproca como masculino e feminino. Deus quis que fossem um para o outro, para uma comunhão de pessoas. Juntos são também chamados a transmitir a vida humana, formando no matrimônio uma só carne (cf. Gn 2, 24).
O Matrimônio participa desta dinâmica de serviço para a santificação. O Senhor, que é amor e criou o homem por amor, chamou-o a amar. Ao criar o homem e a mulher, chamou-os, no Matrimônio, a uma íntima comunhão de vida e de amor entre si, de modo que já não são dois, mas uma só carne (cf. Mt 19,6). Abençoando-os, Deus disse-lhes que fossem fecundos e se multiplicassem (cf. Gn 1,28).
Esse sacramento se realiza diante de uma promessa entre um homem e uma mulher, prestada diante de Deus e da Igreja, aceita e selada pelo Senhor e concluída pela união corporal do casal. Porque é o próprio Altíssimo quem dá o laço do Matrimônio sacramental e o mantém unido até a morte de um dos consortes. São necessários três elementos para a realização do Matrimônio: o consentimento, a concordância com uma união por toda a vida e apenas com o consorte, e por fim, a abertura aos filhos. Sendo a mais profunda a consciência do casal de que são uma imagem viva do amor entre Cristo e a Igreja.
O sacramento do Matrimônio gera entre os cônjuges um vínculo perpétuo e exclusivo. O próprio Deus sela o consentimento dos esposos. Primeiro, porque corresponde à essência do amor se entregar mutuamente sem reservas. Depois, porque ele é imagem da incondicional fidelidade de Deus à Sua criação. Finalmente, porque ele representa a entrega de Cristo à sua Igreja até à morte de cruz.
Portanto, o Matrimônio concluído e consumado entre batizados não pode ser dissolvido. Esse sacramento confere também aos esposos a graça necessária para alcançar a santidade na vida conjugal e para o acolhimento responsável dos filhos e a sua educação. A união matrimonial é, muitas vezes, ameaçada pela discórdia e pela infidelidade por causa do  pecado original, que provocou também a ruptura da comunhão do homem e da mulher, dada pelo Criador. Todavia Deus, na Sua infinita misericórdia, dá ao homem e à mulher a Sua graça para que possam realizar a união das suas vidas segundo o desígnio originário d'Ele.

Fonte: Canção Nova